sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"Ter razões fortes para viver"



Este é o título de um dos capítulos de um livro intitulado Remissão Radical de Kelly A. Turner, especialista e investigadora em oncologia integrativa. Neste livro ela descreve a sua pesquisa feita em vários países onde descobriu centenas de doentes que sofreram aquilo a que se chama de Remissão Espontânea.
Revejo-me em muitos dos casos descritos neste livro, especialmente em termos de sentimentos vivenciados por estes doentes e maneiras de encarar a doença. Se pensarmos bem, a maioria dos cancros acontecem em alturas particulares da vida, após situações de stress, de cansaço extremo, alturas em que o sistema imunitário está particularmente debilitado, etc. A este diagnóstico seguem-se mudanças!
Não é clichê, quando se diz que um diagnóstico de cancro muda a nossa vida, de facto muda, e em certos aspetos muda para melhor, faz-nos pensar e relativizar o que nos rodeia. Estive cerca de 40 dias internada no hospital, foi um internamento difícil, muito penoso. Estava grávida e cheia de planos na minha cabeça quando lá entrei, e saí de lá sem o filho que tanto desejava, com um cancro para combater, com uma família completamente devastada, e eu completamente perdida. Aos poucos as coisas foram-se compondo e comecei a sentir os pés firmes na terra e apercebi-me de uma coisa: faço falta a muita gente!
Para mim morrer não me assusta, aliás esse seria o caminho mais fácil, deixar-me simplesmente levar, esperar pelo efeito da medicação sentadinha no meu sofá. Mas ver as pessoas que sofrem por mim á minha volta deixa-me arrasada. Não gosto de ver a minha mãe chorar com medo de me perder, corta-me o coração quando vejo o meu pai num sofrimento atroz por minha causa. E depois, tenho o meu companheiro/namorado/marido/amigo (e muitos mais) que me diz que nós temos que morrer os dois velhinhos daqui a muitos anos e que ainda precisa muito de mim. Perante isto eu penso: não, não posso mesmo morrer já, pelo menos sem antes tentar o que tiver ao meu alcance.

Foram dezenas de telefonemas, mensagens e visitas no hospital, foi uma manifestação de carinho que não imaginava. Tudo isso mexe muito connosco inevitavelmente! A minha família, o meu marido, os meus amigos são tudo pra mim, é por eles que tenho que lutar!... 

Ter razoes fortes que nos agarrem à vida é essencial em todo este processo. Tudo acontece por uma razão, é preciso tirar partido mesmo das situações mais negativas que nos possam acontecer. 

Hoje soube do falecimento do pai de uma amiga: cancro do pulmão. Não consigo imaginar o sofrimento desta família e não há como não sentir uma pontada cá dentro quando ouço que mais um doente morreu devido aquilo a que chamam a “doença do século”, o “flagelo da humanidade”. Alguma coisa está a falhar àqueles que tanto investigam uma cura pro cancro. Será mesmo que temos que esperar sentados que sejam eles a darem essa tão esperada cura? Não estará a cura em cada um de nós?

Enfim, mais um pequeno desabafo…


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